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O cardiologista Borja Ibáñez é distinguido com o Prémio Rei Jaume I 2026

O doutor Borja Ibáñez, cardiologista de intervenção do Hospital Universitario Fundación Jiménez Díaz, diretor científico do Centro Nacional de Investigaciones Cardiovasculares Carlos III (CNIC) e chefe de grupo do Centro de Investigación Biomédica en Red de Enfermedades Cardiovasculares (Cibercv), foi distinguido com o Prémio Rei Jaume I 2026 na categoria de Investigação Clínica e Saúde Pública.

Os prémios reconhecem a excelência científica, investigadora, tecnológica e empresarial em Espanha. Na edição de 2026, o júri distinguiu sete investigadores e empreendedores nas categorias de Investigação Básica, Economia, Investigação Biomédica, Investigação Clínica e Saúde Pública, Proteção do Ambiente, Novas Tecnologias e Revelação Empresarial.

O júri premiou o doutor Ibáñez pelas suas contribuições para a melhoria dos cuidados clínicos dos doentes com doenças cardíacas através do desenvolvimento de ensaios clínicos de referência para o tratamento da cardiopatia isquémica e da insuficiência cardíaca, bem como pela sua atividade de educação e investigação sobre o tratamento e a prevenção da doença cardiovascular.

Este reconhecimento valoriza um percurso centrado na transferência do conhecimento gerado em laboratório para a prática clínica, com o objetivo de melhorar a prevenção e o tratamento das doenças cardiovasculares. O seu trabalho combina investigação básica, inovação tecnológica e ensaios clínicos orientados para responder a questões de grande relevância para a prática médica.

Entre as suas contribuições mais recentes destaca-se a liderança do ensaio Reboot, promovido pelo CNIC, cujos resultados forneceram novas evidências sobre a utilização de betabloqueadores após um enfarte do miocárdio em doentes com função cardíaca preservada. Este estudo, um dos maiores ensaios clínicos independentes realizados em cardiologia na Europa, colocou em causa uma prática médica estabelecida há décadas e abre caminho a uma medicina cardiovascular mais personalizada, baseada na evidência e adaptada ao perfil de risco de cada doente.

Outro dos projetos liderados pelo doutor Ibáñez é o React, um estudo internacional que pretende transformar a prevenção cardiovascular através de uma abordagem de medicina de precisão baseada na deteção precoce da aterosclerose, mesmo em idades muito jovens. O React estuda 16.000 pessoas assintomáticas entre os 18 e os 69 anos em Espanha e na Dinamarca através de uma avaliação clínica completa, análises sanguíneas, medições antropométricas, uma ecografia vascular tridimensional das carótidas e artérias femorais, uma TAC das artérias coronárias e um exame da retina, entre outros estudos. Esta abordagem proporciona uma visão integrada do início e da progressão da doença muito antes do aparecimento de sintomas clínicos como enfarte do miocárdio, AVC, morte súbita ou demência.

Além disso, coordena o projeto europeu Resilience, financiado pelo programa Horizon 2020 da União Europeia, cujo objetivo é proteger o coração de doentes que superaram um cancro e reduzir o risco de insuficiência cardíaca associado a determinados tratamentos oncológicos. O projeto avalia uma estratégia preventiva simples e não invasiva, baseada na ativação de mecanismos naturais de proteção do coração contra os danos que a quimioterapia pode provocar. O Resilience utiliza a ressonância magnética cardíaca para detetar de forma precisa e precoce possíveis alterações cardíacas.

“Estas linhas de investigação refletem o caráter translacional do trabalho do doutor Ibáñez e a aposta partilhada da Fundación Jiménez Díaz e do CNIC numa medicina cardiovascular mais precisa, preventiva e personalizada. Desde a revisão de tratamentos estabelecidos durante décadas, como o uso de betabloqueadores após o enfarte, até à proteção do coração de doentes oncológicos particularmente vulneráveis, o seu trabalho está orientado para gerar conhecimento científico capaz de transformar a prática clínica e melhorar a vida dos doentes”, explicaram ambas as instituições.

O Prémio Rei Jaume I de Investigação Clínica e Saúde Pública 2026 reconhece assim a contribuição do doutor Borja Ibáñez para uma investigação cardiovascular independente, inovadora e com impacto direto nos doentes e no sistema de saúde.

Jordi González

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